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POR QUE ESCOLA, POR QUE UNIVERSIDADE?

A história da universidade retrata, de forma inequívoca, para que essa instituição serve. Ela não serve para aplaudir ou produzir benfeitorias tecnológicas. Ela se presta a formar profissionais em várias especialidades, mas também a formá-los com...

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A história da universidade retrata, de forma inequívoca, para que essa instituição serve. Ela não serve para aplaudir ou produzir benfeitorias tecnológicas. Ela se presta a formar profissionais em várias especialidades, mas também a formá-los com visão ampla, de força congnitiva, de conhecimento profundo e de compromisso inquestionável com a honestidade. O compromisso é com a formação pessoal dos profissionais que coloca no seio da humanidade e de sociedades em particular. Isso não significa que produz seres perfeitos. Ao contrário, produz também muita imperfeição, mas essas imperfeições nunca foram e nunca serão suas metas; são erros de percurso. A análise histórica torpeça com os problemas gerados pelas universidades; mas também convive com os esforços para produzir cada vez mais melhores cidadãos. 

A essência da instituição não é, em si, algo que lhe traga desmérito. Se há eqúivocos é porque pessoas são falíveis e se tornam inevitavelmente imagens espelhadas das instituição às quais pertencem ou pertenceram. E isso ocorre com toda e qualquer institução composta por seres humanos, desde o âmbito das magias, dos pensamentos místicos/religiosos e também de todo o pensamento racional e artístico. Nada escapa, porque os seres humanos são como ponteiros amolecidos que não conseguem responder exatamente às engrenagens do relógio. Essa flexibilidade traz, ao olhar ingênuo, uma percepção de descompasso. Mas não é e nunca será esse desaranjo o desejo último dessas instituições. Assim, não julgue a instituição pelo comportamento daquelas pessoas que teoricamente as representam. 

Buscar a compreensão de uma instituição está muito além dessa leitura pontual. Ela deve olhar para as diversas expressões, mesmo que ingênua, que se cruza ao longo de séculos, mesmo que com alguns abismos entre tempos de recuperação. É esse olhar que nos dá uma noção sobre as intenções mais íntimas das instituições e que nos revela o caminho que se traçou ao longo dos tempos. Sem isso, nada presta; tudo pode ser destruído.

Mesmo a crítica dos períodos claros de constrangimento do conhecimento filosófico e científico a círculos restritos não são suficientes para menosprezar as intenções do mundo universitário. Igualmente, a transformação de universidades em empresas que vivem da ilusão da educação para que seus clientes continuem a depositar as mensalidades não apaga a história dessa instituição. Obviamente, se olhamos apenas com o objetivo de encontrar defeitos, certamente os veremos e isso, novamente ressalto,  vale a tudo e a todos. Mas se olharmos por outra perspectiva, poderemos ver os vários acréscimos que as universidades trouxeram para os seres humanos, de forma direta ou indireta. Cada profissão que exigiu uma formação no nível do chamado terceiro grau é um  exemplo do que pretendo mostrar.

Se as benfeitorias e os reflexões na sociedade não foram melhores ou com menos equívocos, não foi porque a instituição não presta; mas porque é aínda muito difícil para os seres humanos eliminarem de seus atos os vestígios de desajustes sociais. Isso não leva a esses seres a culpa do ocorrido. Culpa pode haver nos casos bem menos frequentes daqueles que planejam o desajuste. Aqui não falo desses, mas daqueles cujos acidentes não são intencionais. E isso, novamente ressalto, é intrínseco a qualquer instituição humana.

Mas não é apenas essa problemática que me leva a escrever este texto. O que me assusta ainda mais é o nosso presente. Obviamente, cada vez que olhamos para o presente, nos ressalta a história passada para sua compreensão. Muitos culpam a ciência por tudo o que trouxe para avanços da tecnologia. Porém, muitos desses sequer conseguem perceber o avanço da compreensão humana sobre o mundo. O real avanço não é em máquinas, mas em percepção, em compreensão, em capacidade de sonhar e transformar sonhos em realidade. Costumo dizer que as pessoas não deveriam buscar o estudo profundo, o avanço na escolaridade, incluindo aqui as universidades, apenas como metas salariais, ou de um poder mesquinho. O objetivo é muito mais nobre. O ser humano, queiram ou não, saiu de uma condição de pré-histórico, das cavernas, de uma condição de bestialidade sobre o mundo. É dessa realidade que saímos graças a todo o conhecimento que conseguimos produzir, criticar, derrubar, corroborar e até mesmo estruturar. Esse é o real salto que as instituições de ensino forneceram para a humanidade. Mudamos nossa condição de vida e demos condições para que muitos outros pudessem seguir esse caminho. Compreender os fatos ao nosso redor reduz medo, reduz ilusões e nos traz a uma percepção mais condizente com o dia a dia de nossa existência. Matamos as fantasias, mas elas continam a nos alimentar. Desprezamos as ilusões, mas são elas que nos impulsionam para a frente. Mas tudo isso acontece porque os estudos dos seres humanos nos últimos milênios nos empurraram para a frente. Sobre os deslizes, já comentei nos primeiros parágrafos. Olhamos agora para os avanços sociais que conquistamos.

Não ignoro que o mundo prossegue com muitas injustiças e diferenças. Elas também foram formadoras, mas o estudo tem as melhores chances de formações menos sofridas. Ele nos permite melhor percebermos o mundo e os acontecimentos locais. Essa é uma conquista dos seres humanos trazidas por estudos profundos de pessoas que se abdicaram de outras alegrias, pois conseguiram entender o prazer do conhecimento que se permite ser testado, criticado e  esquartejado. Essa força vem daquilo que muitos da atualidade querem destruir. Vem do berço que deu a todos a chance de uma vida mais longa graças a tudo o que pudemos compreender sobre nossa vida, nossas doenças, nossas loucuras... e nossas curas.

Aos que atacam as instituições de ensino digo apenas que elas nos tiram da bestialidade, mas que muitos ainda resistem a isso. Educar não é implantar ideias em cabeças alheias. É permitir que tais cérebros se desenvolvam sem medo de perceber e enfrentar seus próprios erros. Sem medo de ter que mudar de rotas ou mesmo reconhecer que nossas verdades podem ceder a outra verdades que o sistema humano aprimorou. Não se trata de simplesmente achar, mas de se ter meios legítimos para mudar de referenciais sem se recorrer aos famosos "eu acho". A humildade em reconhecer nossa ignorância, sem se despir de nossa sabedoria, é um ponto crucial e que nos afasta da mediocridade, da prepotência, do dogmatismo, dos extremismos e da arrogância que sustenta a vaidade vazia dos piores seres humanos que ainda persistem e não parecem ter vida curta.

Os ataques constantes ao estudo e principalmente às instituições de ensino revelam que a luta continua, pois ainda há muito da selvageria das cavernas a ser revisto. Ela não vem em roupas pré-históricas, mas se revela nas mais altas esferas da tecnologia e nos avanços modernos. Chega ao ponto de quererem transforma as universidades e as escolas em geral em ambientes que aplaudirão essas novidades efêmeras, que têm levado os mais ignorantes até a questionarem para que serve nosso cérebro. Aqueles que já sugaram o mínimo, mas não o suficiente, dessas instituições educacionais, atribuo os aplausos que dão ao lá imediatismos, à tentativa de moldarem o futuro a partir dessa visão curta de seus próprios momentos presentes.

A evasão escolar não está fora deste discurso e desta percepção. Ela é apenas um reflexo de mantras, ou paradigmas sociais, aplaudidos por quem analisa o presente apenas em termos de presentes recentes. Universidades ainda continuam sustentadas, em seu maior espectro, pelo conhecimento científico e/ou filosófico, sempre naquilo que cada uma dessas áreas melhor conseguem explicar.

É fácil, até leviano, atacar a ciência, as universidades, a escola. Afinal, aqueles que se acham super poderosos imaginam que seus cotidianos poderão substituir o conhecimento produzido pela ciência e pela filosofia. Puro engano. O máximo que conseguiriam seria usar os produtos dessas instituições sem perceberem. Cada livro lido, cada informação encontrada na internet pode, com boa probabilidade, ter vindo desse sistema que querem ignorar.

Nem eu, nem você e nem ninguém mais tem a bola de cristal para adivinhar o futuro. Mas a análise histórica racional nos brinda com elementos consistentes para projeções razoáveis sobre desdobramentos esperados da humanidade. Isso é muito diferente de "opiniões" no sentido de "eu acho". Falo de projeções logicamente embasadas e que podem ser negadas no futuro, visto haver claros acontecimentos que, se ocorrem, mudam, restringem ou derrubam as explicações do presente. A defesa aqui é que a bagagem educacional não é genética e tampouco se resolve por ensaio e erro. Ela depende de conhecimentos prévios. Profissionais são cidadão, muito mais do que especialistas. Se a bestialidade não é eliminada ou reduzida, não passam de oeças físicas que obedecem ao motor da máquina, não importando o tamanho de sua conta bancária.

 

 

 

 

 

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10 10. Introdução Em breve
11 11. Citações Em breve
12 12. Escrita – parte 1 Em breve
13 13. Escrita – parte 2 Em breve
14 14. Publicação Científica Em breve